Com o enredo “Se não fosse o Samba, o que seria da Favela?”, agremiação celebrará o centenário de nascimento de um dos maiores representantes do partido-alto e porta-voz das comunidades populares
Em 2027, a União do Parque Acari levará para a Marquês de Sapucaí uma homenagem a um dos grandes nomes da música popular brasileira. Com o enredo “Se não fosse o Samba, o que seria da Favela?”, a agremiação celebrará o centenário de nascimento de Bezerra da Silva, artista que se tornou um dos maiores representantes do samba de partido-alto e uma das vozes mais emblemáticas das comunidades populares.
Com uma trajetória marcada pela irreverência, pela crítica social e pela valorização do cotidiano das favelas, Bezerra transformou em música personagens, histórias, conflitos e situações vivenciadas pelas camadas populares do Rio de Janeiro. Sua obra, permeada por humor, duplo sentido e observação social, fez do sambista uma espécie de cronista da vida nas comunidades.
Desenvolvido pelos carnavalescos recém chegados, Guilherme Diniz e Rodrigo Marques, o desfile da União do Parque Acari pretende revisitar diferentes momentos da vida e da obra do artista, destacando o vínculo entre o samba, a favela e a construção da identidade cultural brasileira.
“A expectativa é muito grande, principalmente pela responsabilidade de homenagear Bezerra da Silva. Estamos falando de um dos maiores expoentes da música brasileira, um artista que conhecia como poucos a realidade das favelas e que deu voz a muita gente através da sua obra. Não à toa, ficou conhecido como o porta-voz dos morros”, afirmam os carnavalescos.
Para os carnavalescos, Rodrigo e Guilherme, um dos principais desafios será equilibrar a dimensão social da obra de Bezerra com os elementos que fizeram do artista um personagem singular da música brasileira.
“O grande desafio é justamente contar essa história respeitando a dimensão desse legado. Ao mesmo tempo em que o enredo traz questões sociais que continuam muito presentes nos dias de hoje, ele também nos permite explorar a irreverência, o humor e o duplo sentido que marcaram a obra do Bezerra”, explica os criativos da agremiação.
A proposta, segundo os carnavalescos, é apresentar ao público um retrato amplo do homenageado, sem restringi-lo apenas à figura do sambista.
“A nossa intenção é apresentar um desfile que vá além da homenagem. Queremos mostrar um Bezerra completo: o sambista, o cronista, o personagem popular e o homem que transformou o cotidiano das comunidades em música. É um enredo que fala de passado, mas que dialoga diretamente com o presente, e acreditamos que o público vai se reconhecer muito nessa narrativa”, destacam.
Com sedes no Complexo do Acari e no Amarelinho, a União do Parque Acari será responsável por encerrar os desfiles da Liga RJ em 2027, na Marquês de Sapucaí. A apresentação marcará o quarto desfile da agremiação no Sambódromo, em mais um capítulo de sua trajetória no carnaval carioca.
